terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Injúrias

Escrevo-te porque me és um fantasma. Dediquei-me a ti de tal forma que nem por sombras me conseguiria reconhecer caso me visse agora nessa altura. Perdida estou agora. Mas desvairada estava eu antes de ti me livrar. Acreditei piamente que o amor verdadeiro é aquele que nos consome, por dentro e por fora – enganada estava. Verdadeiro amor é aquele que nos deixa livres e em paz. Desvarios. Tornei a minha obsessão na mais profunda crença. Religiosa de amores. Crente na felicidade que nasce nas flores murchas. Mãos postas na esperança pelo que se sabe não realizar. Beijas-me morta, entre os outros que padecem, tal como eu, mas que, certeza tenho, não chegaram a amar tanto.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Ai! Tudo o que eu sabia



Ai! Tudo o que eu sabia,
nossos corações crentes,
entre eternos poentes,
- se fez noite, meu dia!

Outrora me julgara forte;
sabia eu como vive,
e hoje não me consigo erguer:
- minha sina, tua morte!

Sou agora feita de neve,
depois de tua partida, breve,
ficou preso a mim o mistério;

por o qual agora choro,
deixo o lugar onde moro,
- tua casa? Cemitério.