Cheguei a tal ponto que me apercebi que todas as palavras que tenho escrito não são para ti: tenho escrito principalmente para mim, para apaziguar este meu arrebatamento e aumentar este amor. Demorei a crer que de mim não querias mais que uma folgosa e repentina paixão. Se assim não fosse trarias mais amor, verdadeiro, a esta minha penosa vida. Escrevo-te - ou escrevo-me - de novo, na esperança de que, ao ler esta carta mil vezes, consiga ficar ciente de que nada me vale pensar em ti e nos tempos que contigo passei.
Lembro-me de quando eras afetuoso; duvido que conseguisse eu nessa altura pensar que me querias tanto mal. Ainda hoje, se voltasses a sê-lo, não conseguiria eu julgar que me quisesses fazer sentir uma desiludida de amores. Desafortunada. Tenho-me arriscado a passar a minha vida nesta indolência, mas certa estou de que o resto desta minha existência vale por ter estado a teu lado. De alma e coração. Me ter entregue a ti. Desvairada estou!
Percebo eu que me peças contas de minha vida, afinal o meu amor ficou em tuas mãos, mas contrariada estou porque não te dedicas a tal sentimento por mim. Tenho até confiado alguns desenganos e tu não me vens chamar à razão. Perdoa-me por ser tão ingrata; ingrata por o sentimento que te tenho e pelo amor que cresceu em mim vindo de alguém tão aprazível como tu.
Quando voltar a escrever, se o fizer, farei-o apenas para mim. Para esta tormenta. É preferivel que assim seja, que nada me digas e que continue eu sozinha neste contentamento de te amar mil vezes mais depois de dizer que por ti já não tenho qualquer afeição. Fico-me com a incerteza de que pensarás em mim em algum momento. Adeus. Adeus e faz-me suplicar-te ainda mais este amor por ti.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ó vida, é desse amor que eu falo
Ó vida, é desse amor que eu falo,
através de mil versos, mil visões,
pesares de minh'alma - maldições -
queixas que não quero, nem calo.
É um vaivém de quimeras
em meu brando coração;
ah! o que se espera então?
Sois em minhas primaveras,
espirito a cismar n'um passado;
inverso d'amores,
d'um sentimento amargurado.
Não basta conhecer outro amante,
n'uma prece de clamores:
porque o amor, assim, é um gigante!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Platitude
A veia publicitária das pessoas incomoda-me. Cabe a nós
mantermo-nos estáveis perante os acontecimentos que nos rodeiam. Acredito que a
necessidade de abrirmos a boca e gritarmos ao mundo o que nos amargura, ou até
mesmo o que nos faz feliz, é acto de harmonia; harmonia momentânea. Que nada
ganhamos em publicitarmo-nos. O segredo está nas páginas vazias, nas palavras
que guardamos, nos amores que calamos. O segredo está em nós. Na veia
publicitária que temos para connosco. Sou eu. És tu em mim. Somos nós numa
página ainda em branco.
Subscrever:
Comentários (Atom)