sexta-feira, 24 de abril de 2015

Todo esse teu desejo

Todo esse teu desejo
que me deixa em castigo,
faz-me crer – a sós comigo –
ser digna de tal ensejo;

de que me ames em renúncia,
pois tuas palavras contidas
não me o mostram – prometidas! –
são a razão de minha pronúncia:

que me queiras em compaixão
por me tornares miserável – não,
sou a que vive em piedade;

por seres minha noite – embriagada –
sou teu dia – mal amada -,
no amor não vejo verdade!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Aos que me morrem - em Primaveras! -

Aos que me morrem - em Primaveras! -
me tragam em sonhos a Estação;
que me encontro assim, sem razão,
por eles minha vida em quimeras -

pelas quais agora choro
e não as vejo eu no fim!
Que sois, minha alma, em mim,
por quem eu mais imploro:

Dai-me força e loucura,
que não entrevejo jamais a cura
para este coração amargurado.

E se hoje vos choro, de saudade, 
me quero a mim tamanha maldade,
a Deus o tenho implorado.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Primavera

Sofro com a chegada da Primavera. Sou tão triste e maculada que em mim não nascem flores. Houve um tempo em que brotavam de mim rosas, vindas de um coração primaveril como o teu; cantilenas de Março. Mas não sou eu mais um pôr-do-sol, a rasgar sorrisos e sensações! Deixem-me continuar neste inverno, no calor dos sonhos e ilusões que tenho tido para comigo. Deixem-me ser chuva, a mais bela chuva que cai em dia de tempestade. Deixem-me com meu coração dolorido por saber que a Primavera chegará - mas ainda está longe. Borboletas deixem-nas para quem no amor acredita! Sou a que não sabe amar, e por isso me encontro perdida. Não sei eu como me dar aos dias alegres, nem sei se quero eu sabê-lo. Deixem-me ficar, à espera da Primavera! À espera!