sexta-feira, 24 de abril de 2015

Todo esse teu desejo

Todo esse teu desejo
que me deixa em castigo,
faz-me crer – a sós comigo –
ser digna de tal ensejo;

de que me ames em renúncia,
pois tuas palavras contidas
não me o mostram – prometidas! –
são a razão de minha pronúncia:

que me queiras em compaixão
por me tornares miserável – não,
sou a que vive em piedade;

por seres minha noite – embriagada –
sou teu dia – mal amada -,
no amor não vejo verdade!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Aos que me morrem - em Primaveras! -

Aos que me morrem - em Primaveras! -
me tragam em sonhos a Estação;
que me encontro assim, sem razão,
por eles minha vida em quimeras -

pelas quais agora choro
e não as vejo eu no fim!
Que sois, minha alma, em mim,
por quem eu mais imploro:

Dai-me força e loucura,
que não entrevejo jamais a cura
para este coração amargurado.

E se hoje vos choro, de saudade, 
me quero a mim tamanha maldade,
a Deus o tenho implorado.