Das árvores, das folhas, do vento,
D`um sonho que me traz verdade;
Levem-me pelos ares, em saudade,
Para longe do real tormento.
D`aqui oiço o mar brando,
Meu coracão não protesta, retumbante,
Adormecido, alma gritante;
prece consciente - aquando? -
Pesares entrevejo clamorosos
Num vaivém de ilusões.
Erguendo-me de passados dolorosos,
Sereis o porvir que sonhei;
ei-lo entre secretas visões,
Um punhado do que alcancei .
domingo, 4 de maio de 2014
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Carta - [Terceira]
Cheguei a tal ponto que me apercebi que todas as palavras que tenho escrito não são para ti: tenho escrito principalmente para mim, para apaziguar este meu arrebatamento e aumentar este amor. Demorei a crer que de mim não querias mais que uma folgosa e repentina paixão. Se assim não fosse trarias mais amor, verdadeiro, a esta minha penosa vida. Escrevo-te - ou escrevo-me - de novo, na esperança de que, ao ler esta carta mil vezes, consiga ficar ciente de que nada me vale pensar em ti e nos tempos que contigo passei.
Lembro-me de quando eras afetuoso; duvido que conseguisse eu nessa altura pensar que me querias tanto mal. Ainda hoje, se voltasses a sê-lo, não conseguiria eu julgar que me quisesses fazer sentir uma desiludida de amores. Desafortunada. Tenho-me arriscado a passar a minha vida nesta indolência, mas certa estou de que o resto desta minha existência vale por ter estado a teu lado. De alma e coração. Me ter entregue a ti. Desvairada estou!
Percebo eu que me peças contas de minha vida, afinal o meu amor ficou em tuas mãos, mas contrariada estou porque não te dedicas a tal sentimento por mim. Tenho até confiado alguns desenganos e tu não me vens chamar à razão. Perdoa-me por ser tão ingrata; ingrata por o sentimento que te tenho e pelo amor que cresceu em mim vindo de alguém tão aprazível como tu.
Quando voltar a escrever, se o fizer, farei-o apenas para mim. Para esta tormenta. É preferivel que assim seja, que nada me digas e que continue eu sozinha neste contentamento de te amar mil vezes mais depois de dizer que por ti já não tenho qualquer afeição. Fico-me com a incerteza de que pensarás em mim em algum momento. Adeus. Adeus e faz-me suplicar-te ainda mais este amor por ti.
Lembro-me de quando eras afetuoso; duvido que conseguisse eu nessa altura pensar que me querias tanto mal. Ainda hoje, se voltasses a sê-lo, não conseguiria eu julgar que me quisesses fazer sentir uma desiludida de amores. Desafortunada. Tenho-me arriscado a passar a minha vida nesta indolência, mas certa estou de que o resto desta minha existência vale por ter estado a teu lado. De alma e coração. Me ter entregue a ti. Desvairada estou!
Percebo eu que me peças contas de minha vida, afinal o meu amor ficou em tuas mãos, mas contrariada estou porque não te dedicas a tal sentimento por mim. Tenho até confiado alguns desenganos e tu não me vens chamar à razão. Perdoa-me por ser tão ingrata; ingrata por o sentimento que te tenho e pelo amor que cresceu em mim vindo de alguém tão aprazível como tu.
Quando voltar a escrever, se o fizer, farei-o apenas para mim. Para esta tormenta. É preferivel que assim seja, que nada me digas e que continue eu sozinha neste contentamento de te amar mil vezes mais depois de dizer que por ti já não tenho qualquer afeição. Fico-me com a incerteza de que pensarás em mim em algum momento. Adeus. Adeus e faz-me suplicar-te ainda mais este amor por ti.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ó vida, é desse amor que eu falo
Ó vida, é desse amor que eu falo,
através de mil versos, mil visões,
pesares de minh'alma - maldições -
queixas que não quero, nem calo.
É um vaivém de quimeras
em meu brando coração;
ah! o que se espera então?
Sois em minhas primaveras,
espirito a cismar n'um passado;
inverso d'amores,
d'um sentimento amargurado.
Não basta conhecer outro amante,
n'uma prece de clamores:
porque o amor, assim, é um gigante!
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Platitude
A veia publicitária das pessoas incomoda-me. Cabe a nós
mantermo-nos estáveis perante os acontecimentos que nos rodeiam. Acredito que a
necessidade de abrirmos a boca e gritarmos ao mundo o que nos amargura, ou até
mesmo o que nos faz feliz, é acto de harmonia; harmonia momentânea. Que nada
ganhamos em publicitarmo-nos. O segredo está nas páginas vazias, nas palavras
que guardamos, nos amores que calamos. O segredo está em nós. Na veia
publicitária que temos para connosco. Sou eu. És tu em mim. Somos nós numa
página ainda em branco.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Injúrias
Escrevo-te
porque me és um fantasma. Dediquei-me a ti de tal forma que nem por
sombras me conseguiria reconhecer caso me visse agora nessa altura.
Perdida estou agora. Mas desvairada estava eu antes de ti me livrar.
Acreditei piamente que o amor verdadeiro é aquele que nos consome, por
dentro e por fora – enganada estava. Verdadeiro amor é aquele que nos
deixa livres e em paz. Desvarios. Tornei a minha obsessão na mais
profunda crença. Religiosa de amores. Crente na felicidade que nasce nas
flores murchas. Mãos postas na esperança pelo que se sabe não realizar.
Beijas-me morta, entre os outros que padecem, tal como eu, mas que,
certeza tenho, não chegaram a amar tanto.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Ai! Tudo o que eu sabia
Ai! Tudo o que eu sabia,
nossos corações crentes,
entre eternos poentes,
- se fez noite, meu dia!
Outrora me julgara forte;
sabia eu como vive,
e hoje não me consigo erguer:
- minha sina, tua morte!
Sou agora feita de neve,
depois de tua partida, breve,
ficou preso a mim o mistério;
por o qual agora choro,
deixo o lugar onde moro,
- tua casa? Cemitério.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Carta - [Segunda]
Volto a escrever-te porque de mim só restam palavras. Mas até
estas estão débeis. É por isso que não escrevo nem insignificâncias desde a
última carta que te enviei; para poupar os poucos monossílabos que ainda tenho
para ti. Sabes que contigo aprendi que o amor e a literatura partilham o mesmo
lar? Tenho este excesso de idolatria que guardo para mim. Agora o meu amor por
ti deu corpo a um eco, e a minha literatura resume-se a esta carta. O longo
espaço de tempo desde a última carta tem sido reticências de suas palavras lá
escritas. Tornei esta minha vida num campo de batalha; onde só esbravejam meus
sofrimentos e pelos teus tenho ânsias que venham em noite de névoa. Combato-me
intimamente para não partir em busca por desertos, mas a verdade é que não te
saberia amar para além das palavras que aqui dito. Não te saberia dar paixão a
teu lado, é necessária esperança para mantê-la viva. Encontro-me nesta
pertinência por teu desaparecimento; peço-te apenas o menor dos teus poemas. Estou
certa de que ficaria mais vazia de amor. Tê-lo-ia que partilhar com essa folha
de papel que me enviarias. Talvez seja melhor não me escreveres; envia-me novas
tuas. Tenho-me consolado com notícias […].
Tenho pensado se ao menos te lembras de mim. Se te lembras
de meus cabelos, de meus olhos. És para mim não só um amor, mas também o
contentamento para seguir em frente, nesta prisão, livre de outros amores que
desprezo. Valeria passar o resto de minha vida lavada em lágrimas para assistir
a uma última prenuncia tua? Estou certa de que sim; por isso me prendo a esta
agonia. Sofrer por ti mais do que alguma outra mulher já sofreu, na esperança
de que só assim serei merecedora de teus afetos.
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